Nunca se esqueça: você é sua cura, paz e equilíbrio.

Você pode estar ao lado de pessoas que te dominam e controlam e até ignoram as suas necessidades. Você pode até se perguntar: “Quem seria capaz de aguentar viver assim?”. E a resposta é que muitas e muitas pessoas estão inseridas em relacionamentos assim.

Só que tem uma coisa que só cabe ao sujeito decidir: você não tem que pedir permissão para se afastar de pessoas que sugam suas energias, que retiram de você, o brilho e a paz interior. E mesmo que ame muito esse alguém, tudo tem limite, e sabe quando esse limite chega? Quando você está inserido em uma relação que extrai de você a sua identidade, onde o sujeito acaba se submetendo a fazer tudo que o outro deseja, em detrimento do seu bem- estar. Você precisa se amar primeiro para que depois possa nutrir amor por alguém.

Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Psicologia Biológica e Clínica da Universidade de Friedrich Schiller, ressalta que a exposição a estímulos negativos promove no sujeito um grande sobrecarga emocional.

Parafraseando Dalai Lama:

“Afaste – se das pessoas que só chegam para compartilhar queixas, problemas, histórias desastrosas, medos e julgamento dos outros.

Se alguém procura uma lata para jogar o lixo que tem dentro, que não seja na sua mente”.

E lembre-se todos os dias da sua vida: você é seu abrigo, cura e equilíbrio. Vale a pena perder sua saúde emocional por alguém que não lhe considera?

Você já amolou sua faca hoje?

Você já amolou a sua faca hoje? Sim, essa é uma pergunta que precisa ser feita, uma vez que a sociedade normatiza tudo a todo o momento. O que é certo? O que é errado? A realidade precisa passar por um crivo de aceitação social e desse modo, a vida das pessoas é analisada e criteriosamente invadida por padrões que ditam a ordem que deve ser considerada como normal ou anormal.

É importante ressaltar que tais concepções não foram estabelecidas nos dias atuais, uma vez que existem desde os tempos mais antigos, onde várias definições já eram estabelecidas na sociedade. Por exemplo, a psiquiatria rotulava as mulheres como histéricas, fracas e nervosas. Embora, hoje já tenham conseguido reverter, em grande parte, a posição que lhes foi dada, consequências permanecem. E como isso pode afetar a vida do sujeito? De diversas formas e em diversos graus. Rotular tem a capacidade de excluir ou rebaixar aquilo que não se enquadra. E é engraçado que tudo isso foi uma criação da sociedade, que de acordo com seus critérios e seus interesses, lançam a faca e cortam tudo aquilo que não interessa aos seus objetivos.

Os amoladores de faca estão por todo o lugar. São amigos, vizinhos, conhecidos e desconhecidos, são pessoas famosas e importantes em uma determinada comunidade. E você que está lendo esse texto também faz parte, pois já lançou em algum momento, uma faca em relação a algo ou alguma pessoa, mesmo sem perceber ou ter a intenção. Você já taxou alguém de feio, já criticou a roupa, já fez algum comentário em relação ao cabelo, ao corpo ou até em relação à conduta de alguém. Questão essa que não poderia ser diferente, uma vez que já se nasce sabendo aquilo que se considera como aceitável e inaceitável.

Ao se fazer um apanhado histórico, pode-se destacar o modo como as pessoas portadoras de algum problema de ordem emocional, eram tratadas. No século XVIII, o poder até então conferido a Igreja e ao estado, é transferido à psiquiatria (área de especialização médica), que passa a ser detentora de uma imensa autoridade dentro das instituições. E essas instituições ficaram conhecidas, como hospitais psiquiátricos, onde todos os indivíduos que fossem considerados “anormais” ou fora dos padrões, seriam inseridos nesses locais. Fica evidente, o quão relevante seria e é, estabelecer o patológico e o normal, inseridos em uma ótica ligada ao campo da saúde.

Ainda no século XVIII, com o advento do hospital geral, algumas medidas começaram a ser tomadas em busca do princípio de cura, como métodos que hoje são considerados inadequados e desumanos, como os choques elétricos, cirurgias no crânio, isolamento com pacientes acorrentados e cheios de remédio que retiravam deles, a identidade e a autonomia pessoal. Assim, amolar e lançar a faca é um processo puramente estrutural, por que acontece desde os primórdios da civilização. Como pacientes seriam curados ou teriam uma melhor qualidade de vida se passavam o dia inteiro dormindo ou nem sabiam quem eram mais devido as fortes medicações? Desse momento, fazendo uma linha histórica até os dias atuais, amolar e lançar a faca ao outro foi algo que sempre existiu e aconteceu, apesar de que alguns padrões de tratamento foram modificados e algumas condutas tornaram-se obsoletas e inaceitáveis.

As pessoas são descartáveis? Quando elas já não são mais interessantes ao que é imposto pela comunidade onde estão inseridas ou pelo fato de cada pessoa ser singular e ter um modo de ser que pode não corresponder a aquilo que se espera dela, o caminho é excluí-la da sociedade, tirar dela a voz que possui? São questões levantadas que precisam ser levadas em conta, uma vez que com a vida do outro não se brinca e as pessoas não são bonecos para serem manipulados e quando você se cansar, só precisa colocar tal “objeto” de lado.

As pessoas precisam colocar na “balança”, a conduta que possuem e considerar o valor das palavras dirigidas ao outro, pois elas pesam muito e podem provocar um estrago inimaginável. Cada crítica lançada ao outro, seja em relação a uma roupa, seja em relação ao modo de ser de alguém, seja em relação a qualquer coisa, precisa passar por um crivo que todos conhecem e usam, mas muitas vezes, usam tal terminologia apenas por modismo e não consideram o sentido real dessa palavra, nem sabem o que ela quer dizer. A palavra é empatia, que a maior parte das pessoas, define como: “se colocar no lugar do outro”. Você sabe o que é se colocar no lugar do outro? Sabe que criticar zombar, maltratar, excluir e descartar significam justamente o oposto? E que a sua conduta pode colocar tal pessoa ou grupo social em uma situação delicada e irreversível? Muita gente fala que as palavras têm poder e elas tem mesmo. Você até pode não imaginar o quanto elas significam para quem as ouve e nem pode imaginar que tais falas e atitudes podem levar a medidas extremas. E sim, isso pode acontecer. Muitas concepções podem levar a desfechos trágicos. Quantas tragédias já não começaram por uma discussão fundamentada no que é certo ou errado perante a sociedade? Quantas pessoas já não deixaram de viver pelo fato de serem excluídas? Quantas vidas foram aniquiladas pela motivação institucional?

Não dá para relatar toda a história, mas muita coisa aconteceu até os dias atuais, a configuração mudou muito. Como era a vida das pessoas que passavam anos senão a vida toda dentro de um hospital psiquiátrico? Como é ver a vida passar diante dos olhos, se ao menos você tiver a chance de reconhecer quem é, não é mesmo? Já que o efeito da medicação retirava do sujeito à noção de tempo e espaço. As pessoas precisam deixar a hipocrisia de lado, e perceberem o papel que possuem na desordem que tanto elas se queixam. Não adianta dar bom dia ao porteiro, se na esquina você fala mal do outro. Tudo, absolutamente tudo, tem consequência. Não adianta você fazer propaganda ou postar na sua rede social mensagens pela paz mundial, se você fala mal do seu colega, que estuda com você todos os dias. Isso é hipocrisia. Você só está contribuindo para um mundo pior.

Regras são necessárias, são, no entanto, como viver assim? Se uma pessoa tem uma desordem mental, ela precisa de tratamento, mas de uma intervenção que possibilite uma reinserção social, de acordo com seus limites e possibilidades. Tratar a saúde mental já mudou muito. O olhar dirigido às pessoas já é outro, por alguns profissionais de saúde, que agora trabalham fundamentados em um olhar mais humanizado ao paciente, dentro de uma equipe multidisciplinar, com vários profissionais trabalhando em busca da promoção, prevenção e reabilitação do sujeito. Se a medicação é necessária? Sim, em muitos casos e em muitos momentos, todavia, essa não é a única forma de cuidar do outro, pois existe uma gama de opções que podem possibilitar a recuperação/melhora do estado de saúde, sem que essa seja a única forma de auxiliar ao paciente. Por exemplo: o desenvolvimento de atividades em grupo, oficinas terapêuticas, o uso da música, uma escuta qualificada do profissional, olhar cara a cara, o outro, se mostrar disponível, não taxar ou rotular, não fazer esse indivíduo sentir-se vitimado, muito menos descartá-lo. Quando se está diante do outro, é importante considerar que ele tem uma vida, uma história e uma família. Não são bichos, não são estranhos para serem isolados e acorrentados ou até serem submetidos a tratamentos desumanos que retiram dele, a sua autonomia e capacidade de viver. E se o paciente possuir uma condição de saúde, sim, possuir, por que ele não é aquilo que está vivendo, que retire dele a lucidez da razão, ainda sim, o tratamento não deve ser o de excluir, pois ele é tão ser humano quanto você e deixá-lo em cima de uma cama, prostrado, esperando o dia de sua morte, não é ético, muito menos profissional e humano. E se fosse você? Ou alguém que você ama? O que lhe faz pensar que o mesmo não pode acontecer com você ou com quem você gosta? A linha entre a saúde e o adoecimento é muito tênue.

Ser normal, o que é? E ser anormal? Não será que quem tanto prega pela verdade não tem nada a esconder? E será que ser anormal é algo ruim? Ser diferente, peculiar não é mais interessante? Excluir? Com qual finalidade? Será que não somos todos anormais? E será que esse não é o maior segredo da vida? Ser diferente?

Autoria: Carla Vitória Gonçalves Brandão Santos.